segunda-feira, 18 de maio de 2015

Todos pecaram - John Murray

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1898 – 1975

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;” [Romanos 3:23]
“…A cláusula “todos pecaram” (v.23) encara o pecado de cada ser humano como “um fato histórico do passado” (Meyer, ad loc.). O tempo verbal empregado abrange todo aspecto no qual possa ser contemplada a pecaminosidade da raça humana; e não seríamos capazes de defender a ideia de que tal declaração se restringe ao pecado de Adão e ao envolvimento de sua posteridade (cf. Rm 5:12). O interesse do apóstolo, nesta altura, é afirmada que, sem importar as diferenças que existem entre os membros da raça, no tocante ao agravamento que intensifica a pecaminosidade de cada um, todos eles, sem exceção ou discriminação, encontram-se na categoria de pecadores (cf. v.9-10).
O significado da cláusula coordenada “e carecem da glória de Deus” não se torna evidente de imediato; existem diversas possibilidades. O verbo grego similar “faltar”, “ter falta de”, “estar destituído de” (cf. Mt 19:20; Lc 15:14; 1Co 1:7; 1Co 8:8; 1Co 12:24; Fp 4:12). Refere-se a uma condição e não a uma ação, embora, é claro, tal condição possa originar-se da ausência de uma ação que remediaria ou impediria a condição. O pensamento que suscita dificuldade e respeito do qual os comentadores diferem é este: no que consiste a glória de Deus que nos falta e da qual estamos destituídos? Existem quatro possibilidades:
(1) deixa de render glória a Deus, de glorificá-Lo ou de fazer aquilo que contribui para o louvor de sua glória (quanto a este uso de termo “glória”, cf. Lc 17:18; At 12:23; Rm 4:20; 1Co 10:31; 2 Co 4:15; 2Co 8:19; Fp 1:11; Fp 2:11; 1Ts 2:6; Ap 4:9,11; Ap 11:13;Ap 14:7; Ap 16:9);
(2) deixar de receber a glória, a honra ou a aprovação que são proporcionadas por Deus (cf. Jo 5:41,44; Jo 8:50; Jo 12:43; Rm 2:7,10; Hb 3:3; 1Pe 1:7; 2Pe 1:17);
(3) ficar aquém do refletir a glória de Deus, ou seja, não conformar-se à sua imagem (cf. 1Co 11.7; 2Co 3.18; 2Co 8.23);
(4) deixar de receber aquela glória final que será dispensada ao povo de Deus, por ocasião da volta de Cristo (cf. Rm 5.2; Rm 8:18,21; 1Co 2:7; 1Co 15.43; 2Co 4:17; Cl 1:27; Cl 3.4; 2Ts 2:14; 2Tm 2:10; Hb 2:10; 1Pe 5:1,4).
Esta dificuldade torna-se acentuada pelo fato de não existir qualquer expressão correspondente a esta no Novo Testamento, e uma boa argumentação poderia ser apresentada em favor de cada uma destas quatro interpretações. Poderíamos apenas indicar que as considerações pendem levemente em favor da interpretação 3.
(a) Paulo usa o tempo presente de um verbo que descreve um estado ou uma condição. Portanto, deveríamos concluir que ele estava pensando sobre a condição presente de todos os homens, a qual tem origem no pecado; e isso está coordenado com o fato de que todos pecaram. Esta consideração tornaria a interpretação 4 menos sustentável.
(b) Se a interpretação 1 fosse a tencionada pelo apóstolo, seria razoável supor que ele teria inserido algum outro vocábulo, tal como “dar” glória a Deus, de acordo com o padrão do uso geral do Novo Testamento ou de acordo com os padrões do próprio apóstolo; ou teria utilizado a preposição “para”, adaptando toda a expressão de modo que dissesse “para a glória de Deus”, tal como se vê nas passagens citadas na interpretação 1.
(c) Embora possamos, conforme o uso costumeiro do Novo Testamento, aplicar a frase “a glória de Deus” ao louvor que vem da parte de Deus (cf. Jo 12:43), a forma mais perspicaz, nesta conjuntura, seria “glória da parte de Deus”.
(d) É característico de Paulo retratar aquilo que a redenção garante, em contraste com aquilo que fora trazido pelo pecado, como uma transformação segundo a imagem de Deus (cf. 2Co 3:18). Ao expor em detalhes a nossa presente condição, nada seria mais pertinente ou descritivo do que defini-la em termos de nossa destituição. Estamos destituídos daquela perfeição que reflete a perfeição divina e, por conseguinte, da glória de Deus.
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John Murray –  Comentário Bíblico em Romanos – Editora Fiel, p.139-141
Fonte: Monergismo
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Como a fé verdadeira age - Horatius Bonar

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1808 - 1889


“…O homem, em seu espírito natural de legalismo auto justificado, tentou fugir da cruz de Cristo e de sua perfeição, ou, ao invés disso, erguer outra cruz, criar uma tela de ornamentos entre ele mesmo e a cruz, ou alterar seu verdadeiro significado em algo mais conveniente a seus gostos, ou transferir a virtude dela para algum ato ou desempenho ou sentimento próprio. Assim, a simplicidade da cruz é anulada, e seu poder para salvar é negado. Ou a cruz salva completamente, ou de modo algum ela o faz. Nossa fé não divide a obra da salvação entre si mesma e a da cruz: há o reconhecimento de que a cruz sozinha salva, e de que ela salva sozinha. A fé não acrescenta nada para a cruz ou à sua virtude de cura: ela possui a plenitude, suficiência e idoneidade do trabalho nela realizado e conduz o espírito a cessar sua obra e a entrar no descanso. A fé não vem ao Calvário para fazer qualquer coisa: ela vem para contemplar o espetáculo glorioso de todas as coisas feitas e aceitar essa conclusão sem qualquer desconfiança quanto à sua eficácia. Ela ouve o “Está consumado!” do portador do pecado e diz: “Amém“. Onde a fé começa, o trabalho termina – por trabalho quero dizer algo elaborado “para a” vida e para o perdão.”…
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Tradução – Cleber Olympio
Fonte – Militar Cristão
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O bem obtido pelas tentações - John Welch

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1568 – 1622

“No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder.
Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.” [Efésios 6:10-11]
“…Primeiro. Através das tentações Ele vos fará confessar os pecados da mocidade, assim como fez Jó, os quais de outro modo amais vos lembraríeis nem vos arrependeríeis deles. Pelas tentações, portanto, Ele os traz à vossa memória, fazendo-vos lamentar por eles, e não vos dará descanso até que alcanceis remissão. Pois se não tivésseis conhecimento deles nem tivésseis vos arrependido deles, jamais teríeis experimentado perdão. Porque sem conhecimento não há lembrança, sem lembrança não há arrependimento e sem arrependimento não há remissão ou perdão. E, a menos que sejais perdoados nesta vida, jamais vereis a vida eterna. Portanto, ao vos fazer lembrar dos pecados da vossa mocidade, o Senhor visa nisso ao vosso bem-estar.
Em segundo lugar, o Senhor permite que pelas tentações vejais em vós um mundo de iniquidades, que vejais que dentro de vós á pecado suficiente para condenar um mundo inteiro, quanto mais a vós mesmos que sois apenas um único indivíduo. Pelas tentações, portanto, o Senhor traz à tona os monstros secretos que estão à espreita em vossos corações, e que vos devorariam de imediato, se lhes fosse permitido.
Em terceiro lugar, pelas tentações o Senhor permite que vejais a amargura do pecado que provoca a ira de Deus contra vós, e que, ao contemplardes isso, tenhais o cuidado de não vos precipitardes novamente no fogo, recalcitrando contra os aguilhões, e vos lançardes nas mãos de um Deus irado, que é um fogo devorador.
Em quarto lugar, sem as tentações não seria possível manter os vossos corações humildes, e se não tivésseis sido objeto de tantas graças estaríeis inchados e inflados de soberba. Se não fossem as múltiplas tentações que Deus envia adrede, o orgulho vos tragaria, pois as tentações são como fissuras no coração que deixam vazar por elas a ventosidade do orgulho.
Em quinto lugar, pelas tentações Deus fará com que os homens tomem conhecimento de suas próprias fraquezas para que, ao contemplarem as suas iniquidades, possam colocar a sua confiança somente em Deus, e para que possam ver que é somente pela graça que conseguem permanecer de pé, e para que, ao caírem, vejam que caíram por causa de si mesmos; nisso são ensinados a renunciarem ao ego e a colocarem a sua fé e confiança somente em Deus.
Em sexto lugar, se não fosse pelas tentações apodreceríamos em nossos pecados, nem sequer nos cingiríamos da nossa armadura e adormeceríamos com o resto do mundo. Assim é, portanto, que o Senhor nos manda as tentações com o propósito de nos manterem alertas e despertos, para nos fazerem tomar e usar a nossa armadura e para purificarmos diariamente os nossos corações pela fé no Senhor Jesus Cristo.
Em sétimo e último lugar, é pelas tentações que Deus multiplica sobre nós a Sua graça e diz: “meu poder se aperfeiçoa na [tua] fraqueza”. Deus não permitirá que sejamos tentados além das nossas forças, pois assim como se renovam as batalhas, a Sua graça também se renova em nós, e é com esse propósito que Ele faz isso: para que possamos ver que as graças do presente são apenas suficientes para cada dia. Portanto, precisamos diariamente da graça fortalecedora e corroboradora, que nos faça crescer diariamente em graça até que alcancemos a perfeição, que não é nesta vida. São essas a maioria das razões pelas quais o Senhor permite que os Seus sejam tentados enquanto estão nesta vida.”…
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John Welch – The Christian Warfare (A Batalha Cristã)
Tradução – Isaías LobãoFonte – Monergismo
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A aliança de Deus e a restauração dos judeus - John Murray

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1898 – 1975


“Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado.
E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades.
E esta será a minha aliança com eles, Quando eu tirar os seus pecados.
Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais.
Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento.
Porque assim como vós também antigamente fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia pela desobediência deles,
Assim também estes agora foram desobedientes, para também alcançarem misericórdia pela misericórdia a vós demonstrada.
Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia.” [Romanos 11:25-32]
“…Conforme é característico nesta carta e, particularmente nos capítulos 9 e 11, o apóstolo recorreu às Escrituras em busca de apoio (cf. 9:12,15,17,25,27,29,33;10:5,8,11,18-21; 11:8-9). A primeira parte da citação é extraída de Isaías 59.20-21, e a última, de Jeremias 31:34.¹³ Não podemos duvidar que Paulo considerou estas passagens do Antigo Testamento aplicáveis à restauração de Israel. Nas porções anteriores deste segmento da carta, alguns trechos escriturísticos haviam sido citados para apoiar vários desses argumentos e teses. Pode haver alusões ocultas à conversão de Israel em algumas destas ocasiões (cf. 10:9; 11:1-2). Mas esta é a primeira vez em que ocorre um expresso apelo às Escrituras, em apoio à restauração em ampla escala, sendo duvido que haja ao menos uma referência indireta a isso nestas passagens anteriores. Essa evidente aplicação é um indicativo do princípio de interpretação que deveria ser aplicado a inúmeras passagens do Antigo Testamento que exibem a mesma ideia vista em Isaías 59.20-21, ou seja, que enceram a promessa de uma expansão das bênçãos do evangelho, à semelhança daquela que Paulo enuncia nos versículos 25 e 26.¹⁴ Os elementos destas citações especificam para nós o que está envolvido na salvação de Israel. Os elementos são a redenção, o abandonar a impiedade, o selar da aliança da graça e o remover os pecados, que são o âmago das bênçãos do evangelho; e servem de índice a respeito do que significa a salvação de Israel. Não há qualquer sugestão sobre privilégio ou status, e sim sobre o que é comum a judeus e gentios na fé em Cristo.
A cláusula “esta é a minha aliança com eles” justifica maiores comentários. À parte de Romanos 9:4, onde as alianças patriarcais são mencionadas, esta é a única referência à aliança nesta carta. De acordo com a ideia bíblica de aliança (uma confirmação obrigada por juramento), temos aqui a garantia da fidelidade de Deus à sua promessa e, por conseguinte, a certeza de seu cumprimento. Esta certeza da aliança não pode ser desvinculada da proposição (em cujo apoio é citado o texto) nem daquilo que se segue no versículo 28. Portanto, o efeito é que a futura restauração de Israel está assegurada por nada menos do que a certeza pertencente à instituição da aliança. Devemos observar que as outras cláusulas, coordenadas àquela que concerne à aliança, referem-se àquilo que será feito por Deus ou pelo Libertador. De modo coerente ao conceito de aliança, a ênfase recai sobre aquilo que Deus fará, ou seja, sobre a atividade divina. Em Isaías 59:21, a aliança é afirmada em termos de outorga perpétua do Espírito e da Palavra de Deus, outro indicativo da certeza envolvida na graça da aliança.¹⁵”…
Nota:
¹³ Em Isaías 59:20, o grego difere do hebraico na segunda cláusula. Paulo citou literalmente o grego, mas o hebraico diz: “E àqueles que se converterem da transgressão em Jacó”. A primeira cláusula, na citação paulina, não corresponde exatamente ao hebraico e ao grego. O primeiro diz “a Sião” ou “por Sião”, e o grego o traduz acertadamente por “em favor de Sião”, assim como em Salmos 14:7 (na Septuaginta, 13:7). Não deve haver grande dificuldade. A preposição hebraica, neste caso, é capaz de ambas as traduções; e Paulo se sentiu em liberdade para utilizar o que desejou. Ambos os significados são corretos: o Redentor procedeu de Sião, para libertá-la. A ênfase no ensino de Paulo, nesta passagem, recai sobre o que o Redentor fará em favor de Sião. Porém, na primeira cláusula, o pensamento focaliza-se sobre a relação entre o Redentor e Sião, conforme o padrão de Rm 9.5. Isto se harmoniza à ênfase total desse contexto e ressalta a relevância da obra salvífica consumada pelo Redentor em favor de Israel como um
povo.
¹⁴ Cf. Sl 14:7; 126:1-2; Is 19:24-25; Is 27:13; Is 30:26; Is 33:20-21; Is 45:17; Is 46:13; Is 49:14-16; Is 54:9; Is 60:1-3; Is 62:1-4; Mq 7:18-20. Isto se torna mais evidente quando percebemos que Isaías 59:20 fornece a base para 60.1-3 e que 54.9-10 apresenta a mesma ênfase sobre a fidelidade da aliança, assim como em 59.20-21, o texto ao qual o apóstolo recorreu.
¹⁵ É importante notar que, embora Paulo tenha feito distinção entre Israel e Israel, descendência e descendência, filhos e filhos (cf. Rm 9.6-13), ele não faz tal discriminação em termos de “aliança”, a ponto de distinguir entre aqueles que estão na aliança, em sentido mais amplo, e aqueles que são verdadeiros participantes de sua graça.
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John Murray –  Comentário Bíblico em Romanos (A plenitude dos gentios e a salvação de Israel)
Fonte: Monergismo
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Aprendendo a batalhar com Cristo - John Knox

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1514 – 1572


“Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” [Mt 4:4]
“…Aprenderemos, agora, com quais armas devemos lutar contra tais inimigos e assaltos, na resposta de Jesus: “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus“.
A resposta de Cristo prova aquilo que estivemos mencionando antes, pois a menos que o propósito de Satanás tenha sido demover Cristo de toda esperança na providência misericordiosa de Deus concernente a Ele, naquela sua necessidade, Cristo não respondeu diretamente às palavras de Satanás: “ordene que estas pedras se transformem em pães” (Mt.4:3). Mas Jesus Cristo, percebendo sua astúcia e malícia sutis, respondeu diretamente ao significado delas, desconsiderando suas palavras. Nesta resposta Satanás foi tão frustrado, que teve vergonha de replicar além, sobre este assunto.
Mas para que você entenda melhor o significado da resposta de Cristo, a expressaremos em outras palavras: “Você labora“, Cristo diria, “em trazer ao meu coração dúvida e suspeita com relação a promessa de meu Pai, que foi publicamente proclamada no meu batismo, por causa da minha fome e da carência de toda provisão carnal. Você é audacioso em afirmar que Deus não cuida de mim. Mas você é enganador e sofista corrupto, e seu argumento é vão e repleto de blasfêmias; pois você vincula o amor, misericórdia e providência de Deus, a ter ou carecer da provisão carnal, o que não nos é ensinado em nenhuma parte das Escrituras de Deus, mas antes, elas expressam o contrário. Como está escrito ‘Nem só de pão…’, ou seja, a vida e a felicidade do homem não consistem na abundância de coisas corpóreas, pois a possessão delas não abençoa ou torna feliz o homem, nem a falta delas é a causa da sua miséria final; mas a vida do homem consiste em Deus e nas suas promessas, e os que nelas se apegam sinceramente, viverão a vida eterna. E embora todas as criaturas na terra o desamparem, sua vida corpórea não perecerá até que o tempo apontado por Deus chegue. Pois Deus tem meios para alimentar, preservar e manter, ignorados pela razão humana e contrários ao curso comum da natureza. Ele alimentou seu povo Israel no deserto quarenta anos sem provisão humana. Ele preservou Jonas na barriga do grande peixe e manteve e guardou os corpos dos seus três filhos (Sadraque , Mesaque e Abede-Nego) no fogo da fornalha. A razão e o homem natural não viam saída nestes casos, a não ser destruição e morte, e julgariam que Deus havia retirado o Seu cuidado destas suas criaturas; e todavia, sua providência foi mais zelosa em relação a eles no limite dos perigos que enfrentaram, dos quais Ele os libertou de tal forma (e durante os assistiu), que sua glória, que é sua misericórdia e bondade, apareceu e sobressaiu-se mais, depois de seus problemas, do que se eles tivessem sucumbindo neles. E por esta razão, eu não meço a verdade e favor de Deus pelo fato de ter ou não necessidades físicas, mas pela promessa que Ele fez para mim. Assim como Ele é imutável, também são a sua palavra e promessa, as quais, Eu creio, me apego e sou fiel, independentemente do que possa vir externamente ao corpo”.
Nesta resposta de Cristo podemos discernir quais armas devem ser usadas contra nosso adversário, o diabo, e como devemos refutar seus argumentos, que, com astúcia e malícia, ele faz contra os eleitos de Deus. Cristo poderia ter repelido Satanás com uma palavra ou pensamento, ordenando-o calar, como Aquele a quem todo poder foi dado no céu e na terra. Mas foi agradável a sua misericórdia, nos ensinar como usar a espada do Espírito Santo, que é a palavra de Deus, na batalha contra nosso inimigo espiritual. O texto da Escritura mencionado por Cristo, encontra-se no oitavo capítulo de Deuteronômio. Foi dito por Moisés, um pouco antes de sua morte, para firmar o povo na misericordiosa providência de Deus; pois no mesmo capítulo, e em outros depois deste, ele avalia a grande luta, os diversos perigos e as necessidades extremas que eles tiveram que suportar no deserto, no período de quarenta anos; e quão constante Deus tinha sido em mantê-los e em cumprir sua promessa, conduzindo-os através de todos os perigos até a terra prometida. E assim, este texto da Escritura responde, mais diretamente, às tentações de Satanás, pois Satanás raciocina deste modo(como mencionei antes): “Tu estás em pobreza e não tens provisão para sustentar tua vida. Isto prova que Deus não considera e nem toma conta de Ti, como Ele faz com os seus filhos escolhidos“, Jesus Cristo responde: “Teu argumento é falso e vão, pois pobreza ou necessidade não excluem a providência ou cuidado de Deus, os quais são facilmente provados pelo exemplo do povo de Israel, que no deserto, muitas vezes, necessitou de coisas necessárias ao sustento da vida e, por carecerem delas, invejaram e murmuraram. Apesar disto, o Senhor nunca retirou deles seu cuidado e providência, mas, em conformidade ao que uma vez falou, a saber, que eles eram seu povo peculiar, e em conformidade a promessa feita a Abraão e àqueles que saíram do Egito, Ele continuou sendo seu guia e condutor, até que os colocou na tranqüila possessão da terra de Canaã, não obstante a grande debilidade e as diversas transgressões do seu povo“.
Assim, nós somos ensinados, por Jesus Cristo, a repulsar Satanás e seus assaltos pela palavra de Deus e a aplicar os exemplos de sua misericórdia, mostrada a outros antes de nós, para nossa alma nas horas de tentação e nos tempos de nossas tribulações; pois aquilo que Deus faz a alguém em determinada época, cabe a todos que confiam e dependem Dele e nas suas promessas. Por esta razão, por mais que sejamos assaltados pelo nosso adversário Satanás, encontramos, na Palavra de Deus, armadura e armas suficientes.”…
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John Knox – Select Practical Writings, p.245 (Sermon – On Christ Temptations in the Wilderness)
Fonte – Monergismo
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Uma mulher a ser lembrada - J.C.Ryle

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1816 - 1900

“Lembrai-vos da mulher de Ló” [Lucas 17:32]
“Há poucas advertências na Escritura mais solenes que esta. O Senhor Jesus Cristo nos diz, “Lembrai-vos da mulher de Ló.”
A esposa de Ló professava a verdadeira religião: seu marido era um “homem íntegro” (2 Pedro 2:8). Ela deixou Sodoma com ele no dia da sua destruição; ela olhou para trás, em direção a cidade, em desobediência a ordem expressa de Deus; ela morreu imediatamente, transformando-se em uma estátua de sal. E o Senhor Jesus Cristo a utiliza como exemplo para Sua igreja; Ele diz: “Lembrai-vos da mulher de Ló“.
É uma advertência solene, quando consideramos a pessoa que Jesus menciona. Ele não nos convida a lembrar de Abraão, ou Isaque, ou Jacó, ou Sara, ou Ana, ou Rute. Não! Ele escolhe alguém cuja alma estava perdida para sempre. Ele clama a nós: “Lembrai-vos da mulher de Ló“.
É uma advertência solene, quando nós consideramos sobre o tema de Jesus. Ele está falando da Sua segunda vinda, quando virá julgar o mundo; Ele está descrevendo o estado terrível de despreparo no qual muitos serão achados. Os últimos dias estão na Sua mente, quando Ele nos diz: “Lembrai-vos da mulher de Ló“.
É uma advertência solene, quando nós pensamos na Pessoa que a faz. O Senhor Jesus é amoroso, misericordioso e compassivo; Ele é Aquele que “não esmagará a cana quebrada nem apagará a torcida que fumega”(Is.42:3). Ele lamentou a incredulidade de Jerusalém e orou pelos homens que O crucificaram; contudo, Ele julga proveitoso nos dar esta advertência solene e nos fazer lembrar das almas perdidas. Ele nos diz: “Lembrai-vos da mulher de Ló“.
É uma advertência solene, quando nós pensamos nas pessoas para as quais Ele, primeiramente, dirigiu estas palavras. O Senhor Jesus estava falando aos Seus discípulos; Ele não estava falando para os escribas e fariseus que o odiaram, mas a Pedro, Tiago e João, e muitos outros que O amaram; mesmo para esses, Ele julga proveitoso uma palavra de precaução. Ele os diz: “Lembrai-vos da mulher de Ló“.
É uma advertência solene, quando nós consideramos a maneira que Ele falou. Ele não diz somente: “Cuidado! Não sejam como a mulher de Ló”. Ele usa uma palavra diferente; Ele diz: “Lembrai-vos”. Ele fala como se nós corrêssemos o perigo de esquecer o assunto; Ele incita nossas memórias preguiçosas; Ele nos ordena a manter o caso em nossas mentes. Ele clama: “Lembrai-vos da mulher de Ló“.”
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J.C.Ryle – Remember Lot’s Wife
Fonte: Monergismo
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Convicção de pecados; o primeiro passo para o arrependimento - J. C. Ryle

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1816 - 1900

"Aquele que tem alguma percepção do seu próprio pecado deve ser grato a Deus por isso. Esse senso de fraqueza, maldade e corrupção, que talvez o deixar desconfortável, é na realidade um bom sinal, e um motivo de louvor. O primeiro passo para ser realmente bom é sentir-se mau. A preparação para o céu é saber que nós merecemos o inferno. Antes de podermos ser declarados justos, devemos nos reconhecer como miseráveispecadores. Antes que possamos ter alegria e paz interior com Deus, devemos estar envergonhados e confundidos por causa das nossas múltiplas transgressões. Antes que possamos nos regozijar numa esperança bem fundamentada, devemos aprender a dizer:
“Imundo, imundo! Ó Deus, sê propício a mim, pecador! ."...


Fonte - Reforma e Razão
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Apresentação do 'Prática da Piedade'

O testemunho da Escritura é de que a Piedade é proveitosa para todas as coisas, residindo nela a promessa da vida que é, e da vida que há de vir [cf. 1 Timóteo 4:7,8].

E o que é Piedade?
É a qualidade de uma determinada prática de vida relacionada a Santidade pessoal, contrária às paixões carnais e mundanismo [Tito 2:11-13; 2 Pedro 3:10-12]. A palavra no original Grego do Novo Testamento, traz consigo o significado de uma ordeira e boa resposta do coração em reverência ao Senhor Deus. Uma outra forma de definir Piedade é descrevê-la como uma atitude pessoal para com o Senhor Deus, na forma de uma vida cujo objetivo é honrá-lO e agradá-lO.

A Piedade é proveitosa para a vida agora, conduzindo-nos em Cristo para toda a paz para com Deus, que nEle se pode receber; regozijo no Senhor, em nosso espírito, com todo prazer e alegria em Deus, nosso bom Pai e Salvador; contentamento para com os atos da Providência do Senhor. A Piedade não nos conduzirá a prosperidade, boa reputação, amigos, saúde ou tranquilidade - nada disto é prometido para o Piedoso; mas, quão maior é a felicidade de sabermos que o Piedoso será ouvido pelo Senhor em suas orações, e terá alegria nEle desde agora e para sempre! Na Piedade há promessa e esperança, de Cristo, em quem se esconde a vida do Crente, de estar unido com Cristo agora e por toda eternidade.

Nas palavras de Thomas Watson, "Como a jóia está para o anel, assim a Piedade está para a alma, ornando-a aos olhos de Deus. A Razão nos faz humanos; a Piedade nos faz anjos sobre a Terra; pela Piedade nós 'tomamos parte da natureza Divina' [2 Pedro 1:4]. A Piedade é mui próxima da glória: é 'glória e virtude' [2 Pedro 1:3]. A Piedade é a Glória em forma de semente; e a Glória é a Piedade em flor."

Assim, cremos, está mais do que justificado nosso desejo e obra em dedicar este Blog a tudo o que for útil e exemplar para nos exortar e dirigir na Prática da Piedade. Oh, Senhor, ajuda-nos, sustenta-nos, guia-nos e frutifica este trabalho!

Teologia e Pregação Reformada Experimental

O que é Teologia e Pregação Reformada Experimental? Muitas vezes chamado de Calvinismo Experimental ou Calvinismo Experiencial, se refere a uma tal forma de religião, construída sobre a Escritura Somente, fundamentada em Cristo Jesus, na qual, buscando-se incessantemente a Glória de Deus em todas as coisas, se testa ou prova, se exercita no conhecimento prático de toda Doutrina Bíblica. Entendemos que há uma vital relação entre a Teologia Prática e a Piedade; como a Escritura diz, é desejável e há regozijo e benção no exercício do Conhecimento da Verdade que é segundo a Piedade [Tito 1:1].

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