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| 1519 - 1605 |
"...Do mesmo modo que a pregação do Evangelho é um aroma de morte para os rebeldes que endurecem seus corações, é também aroma de vida para os filhos de Deus (2 Co 2:15,16). Não que a força e poder de salvar resida no som da palavra ou venha da energia de quem prega (1 Co 3:7,8). Mas o Espírito Santo, cujo ofício estamos descrevendo, usa a pregação como um tubo ou canal; Ele penetra na profundeza da alma, como o apóstolo fala (Hb 4:12; 1 Pe 1:23), com o propósito de dar, somente por Sua graça e bondade, entendimento aos filhos de Deus para os capacitar a perceber e compreender o grande mistério da sua salvação através de Jesus Cristo (At 16:14; Ef 1:18,19). Então, Ele também corrige seus julgamentos, para que eles aprovem, com sabedoria proveniente de Deus, aquilo que o sentido e a razão costumam achar loucura (1 Co 2:6-16). Além disso Ele corrige e muda suas vontades de tal maneira, que com afeição ardente, eles abraçam e recebem o único remédio que é oferecido em Jesus Cristo (Fp 1:29; At 13:48) contra o desespero no qual, sem ele, a pregação da Lei necessariamente os conduziria (Ef 2:1,4,5)."...
Theodore Beza - As Duas Partes da Palavra de Deus: Lei & Evangelho
Fonte - Monergismo
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| 1519 - 1605 |
"...Vamos, portanto, aprender a contestar de maneira diferente, o argumento de Satanás supracitado: 'Você diz, Satanás, que Deus é perfeitamente justo e vingador de toda a iniquidade'; eu creio nisto. Mas eu acrescento outra propriedade de Sua justiça que você deixou de lado: visto que Ele é justo, Ele se satisfez em ter sido pago uma vez. Em seguida você diz que eu tenho uma multidão de iniquidades e que, portanto, mereço morte eterna; eu creio nisto. Mas acrescento o que você, maliciosamente, omitiu: as iniquidades que estão em mim, foram de forma cabal, vingadas e punidas em Jesus Cristo que suportou o julgamento de Deus em meu lugar (Rm 3:25, 1 Pe 2:24). Daí porque, eu chego a uma conclusão completamente diferente da sua. Desde que Deus é justo (Rm 3:26) e não requer duplo pagamento; desde que Jesus Cristo, Deus e homem (2 Co 5:19), satisfez por Sua infinita obediência (Rm 5:19; Fp 2:8), a infinita majestade de Deus (Rm 8:33), segue-se então, que minhas iniquidades não podem mais levar-me à ruína (Cl 2:14); elas já foram removidas da minha conta, pelo sangue de Jesus Cristo que foi feito maldição por mim (Gl 3:13), e sendo justo, morreu pelos injustos (1 Pe 2:24). Logo após, é certo que Satanás saberá bem colocar, diante de nossos olhos, nossas aflições e especialmente a morte (Rm 5:12). Ele alegará que elas são testemunhas que nos mostram que Deus não perdoou nossos pecados. Mas argumentaremos que: primeiro, embora toda aflição e morte tenham entrado no mundo pelo pecado, Deus nem sempre tem em vista os nossos pecados quando Ele nos aflige. Nós deduzimos isto da história de Jó e em outras passagens (Jo 9:3; 1 Pe 2:19; 3:14; Tg 1:2). Mas Ele tem vários propósitos que visam a Sua glória e o nosso benefício, como explicaremos mais tarde. Por outro lado, quando Deus aflige os Seus por seus pecados, mesmo quando Ele chega a fazê-los sentir as dores da morte (Jó 13:15), Ele não está irado contra eles, como um juiz, para condená-los, mas como um Pai que está disciplinando Seus filhos para livrá-los da destruição (2 Co 6:9; Hb 12:6; 2 Sm 7:14), ou para dar exemplo a outros (2 Sm 12:13,14)."...
Theodore Beza - The Christian Faith ( capítulo 4, seções 1-13)
Fonte - Reformados do Século XVI
Tradução - Rev. Paulo Anglada
Revisão - Rev. Ewerton B. Tokashiki
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| 1519 - 1605 |
"...O objeto e poder da verdadeira fé.
Visto que Jesus Cristo é o objeto da fé, assim como Ele nos é apresentado na Palavra de Deus, seguem-se daí dois pontos que deveriam ser bem considerados. De um lado, onde não há Palavra de Deus mas somente a palavra de homem, quem quer que seja, lá não há fé, mas somente uma fantasia ou uma opinião que não pode falhar em nos enganar (Rm 10:2-4; Mc 16:15; Rm 1:28; Gl 1:8-9). Por outro lado, a fé aceita e apropria Jesus Cristo e tudo que está nEle, visto que Ele nos foi entregue na condição de crermos nEle (Jo 17:20,21; Rm 8:9). Daí seguem-se uma ou duas coisas: ou tudo que é necessário para nossa salvação não está em Jesus Cristo, ou se tudo está de fato lá, aquele que tem a Jesus Cristo pela fé, tem tudo. Ora, dizer que tudo que é necessário para nossa salvação não está em Jesus Cristo é uma horrível blasfêmia, pois isto somente faria dEle um Salvador parcial (Mt 1:21). Daí resta, portanto a outra parte: tendo Jesus Cristo, pela fé, temos nEle tudo que é requerido para nossa salvação (Rm 5:1). Isto é o que o apóstolo diz: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”(Rm 8:1)
Como devemos entender 'Somos justificados pela fé somente'.
Aqui está a explicação de nossa justificação pela fé somente: a fé é o instrumento que recebe Jesus Cristo e, consequentemente, recebe Sua justiça, o que significa, toda a perfeição. Quando, portanto, acompanhando o Apóstolo Paulo (Rm 1:17; 3:21-27; 4:3; 5:1; 9:30-33; 11:6; Gl 2:16-21; 3:9,10,18; Fp 3:9, 2 Tm 1:9; Tt 3:5; Hb 11:7), dizemos que somos justificados pela fé somente, não queremos dizer que a fé é um mérito nosso que nos faz justos diante de Deus, pois isto seria colocar a fé no lugar de Jesus Cristo que é nossa perfeita e completa justiça. Porém, dizemos juntamente com o apóstolo, que somente pela fé somos justificados, à medida que ela aceita Aquele que nos justifica, Jesus Cristo, a quem nos une e ajunta. Nós somos, então, feitos participantes dEle e dos benefícios que Ele possui. Estes, nos sendo imputados e doados, são mais do que suficientes para nos tornar inocentes e justos diante de Deus."...
Theodore Beza - The Christian Faith ( capítulo 4, seções 1-13)
Fonte - Reformados do Século XVI
Tradução - Rev. Paulo Anglada
Revisão - Rev. Ewerton B. Tokashiki
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| 1519 - 1605 |
"...Chamamos de "Palavra de Deus" os livros canônicos do Antigo e Novo Testamentos, por terem procedido da boca do próprio Deus.
Dividimos esta Palavra em duas partes principais: uma e chamada 'Lei', a outra 'Evangelho'.
O que chamamos de Lei é a doutrina cuja semente é escrita pela natureza em nossos corações. Entretanto, para que nosso conhecimento fosse mais preciso, ela foi escrita por Deus, em duas tábuas e é compreendida, resumidamente, em dez mandamentos. Neles, Deus estabelece para nós a obediência e a perfeita justiça, as quais devemos a Sua majestade e aos nossos semelhantes, em termos contrastantes: vida eterna, se guardarmos a Lei perfeitamente, sem omitir um ponto sequer, ou morte eterna, se não cumprirmos completamente cada mandamento (Dt 30:15-20; Tg 2:10).
O que chamamos de Evangelho (Boas Novas) é a doutrina que não está totalmente em nós por natureza, mas é revelada do céu (Mt 16:17; Jo 1: 13) e supera totalmente, o conhecimento natural. Por ele, Deus testifica que é Seu propósito nos salvar graciosamente através de Seu único Filho (Rm 3:20-22), providenciando que, pela fé, nós recebamos a Jesus como nossa única sabedoria, justificação, santificação e redenção (1 Co 1:30). Por ele (O evangelho), o Senhor nos testifica todas essas coisas, e o faz de tal maneira, que ao mesmo tempo Ele nos renova de forma poderosa, nos capacitando a receber os benefícios que nos são ofertados. (1 Co 2:4)."...
Theodore Beza - As Duas Partes da Palavra de Deus: Lei & Evangelho
Fonte - Monergismo
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Apresentação do 'Prática da Piedade'
O testemunho da Escritura é de que a Piedade é
proveitosa para todas as coisas, residindo nela
a promessa da vida que é, e da vida que há de vir [cf. 1 Timóteo 4:7,8].
E o que é Piedade?
É a qualidade de uma determinada prática de vida
relacionada a Santidade pessoal, contrária às paixões carnais e mundanismo
[Tito 2:11-13; 2 Pedro 3:10-12]. A palavra no original Grego do Novo Testamento, traz consigo o significado de
uma ordeira e boa resposta do coração em reverência ao Senhor Deus. Uma outra forma de definir Piedade é descrevê-la como uma atitude pessoal para com o Senhor Deus, na forma de uma vida cujo objetivo é honrá-lO e agradá-lO.
A Piedade é proveitosa para a vida agora, conduzindo-nos em Cristo para toda a paz para com Deus, que nEle se pode receber; regozijo no Senhor, em nosso espírito, com todo prazer e alegria em Deus, nosso bom Pai e Salvador; contentamento para com os atos da Providência do Senhor. A Piedade não nos conduzirá a prosperidade, boa reputação, amigos, saúde ou tranquilidade - nada disto é prometido para o Piedoso; mas, quão maior é a felicidade de sabermos que o Piedoso será ouvido pelo Senhor em suas orações, e terá alegria nEle desde agora e para sempre! Na Piedade há promessa e esperança, de Cristo, em quem se esconde a vida do Crente, de estar unido com Cristo agora e por toda eternidade.
Nas palavras de Thomas Watson,
"Como a jóia está para o anel, assim a Piedade está para a alma, ornando-a aos olhos de Deus. A Razão nos faz humanos; a Piedade nos faz anjos sobre a Terra; pela Piedade nós 'tomamos parte da natureza Divina' [2 Pedro 1:4]. A Piedade é mui próxima da glória: é 'glória e virtude' [2 Pedro 1:3].
A Piedade é a Glória em forma de semente; e a Glória é a Piedade em flor."Assim, cremos, está mais do que justificado nosso desejo e obra em dedicar este Blog a tudo o que for útil e exemplar para nos exortar e dirigir na Prática da Piedade.
Oh, Senhor, ajuda-nos, sustenta-nos, guia-nos e frutifica este trabalho!