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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

A Escravidão da Vontade - Martyn Lloyd-Jones

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1899 - 1981

"...Isso é importante, nesse sentido, que mostra que o homem, em conseqüência do pecado, em conseqüência de ser ele dominado pelo diabo e pelo princípio que este introduziu, e pela mente deste mundo, acha-se em tal estado e condição que ele não pode obedecer a Deus. É isso que o grande Martinho Lutero chamava “escravidão da vontade”. Contudo, para o homem em pecado e para o homem moderno, que doutrina odiosa! “A escravidão da vontade!” A minha vontade é livre, diz o homem. O homem gosta de pensar que é absolutamente livre para escolher o que quiser, que ele pode escolher servir a Deus, se o desejar; que pode escolher ser cristão, se assim for o seu desejo. A afirmação da vontade do homem, do livre-arbítrio, é a ordem do dia. Mas a Bíblia fala em “filhos da desobediência”; e “Vós tendes por pai o diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai” (Jo 8:44). Diz o nosso Senhor que você é incapaz. O homem natural não é sujeito “à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser” (Rm 8:7) - ele é incapaz disso. Desde a queda de Adão, isso de livre-arbítrio, de vontade livre quanto a obedecer a Deus, não existe. Adão tinha livre-arbítrio; nunca mais ninguém o teve. A liberdade de vontade perdeu-se na Queda; nesta o homem passou a ser escravo do pecado e a estar sob o domínio do diabo. Sua vontade está presa. “Se ainda o nosso evangelho está encoberto”, diz o apóstolo aos Coríntios (II Co 4:3 e 4) “para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos”, para que não creiam no glorioso evangelho de Cristo. O diabo não os deixa crer. “O valente guarda, armado, a sua casa, em segurança. ..” (Lc 11:21 ). Essa é a condição do homem sob o domínio do diabo; ele não é livre. Não é livre para não pecar. “Filhos da desobediência”! “Nem, em verdade, o pode ser”! É incapaz disso. Tal a profundidade em que o homem afundou em pecado. E, contudo, é aí que entra o paradoxo, por assim dizer. Apesar disso, tudo o que o homem faz, ele o faz deliberadamente. Ele quer pecar, gosta de pecar, gloria-se em pecar. Não exerce negativamente a sua vontade para pecar; o que ele não pode fazer é querer o bem positivo, o bem espiritual. É incapaz disso, e aí está porque ele precisa “nascer de novo” e ter nova natureza. Mas ele pode querer o mal, e sente prazer em praticá-lo. O que ele não percebe é que ele se tornou incapaz de querer o bem e de querer alguma coisa que esteja direcionada para a salvação. Ele não é livre para isso. Filhos da desobediência, a prole da desobediência, a progênie da desobediência! Há no universo uma mente má, e nós somos seu fruto. Esse é o ensino bíblico. Acaso não é extraordinário que alguém que tem entendimento nestas questões possa discutir isso por um momento que seja? O mundo atual está simplesmente demonstrando e provando esta verdade. Os homens e as mulheres são escravos do diabo, estão sob a escravidão do diabo; estão sob o poder e domínio de satanás."...

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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Deus não causa o mal em nenhum sentido - Martyn Lloyd-Jones

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1899 - 1981

"...Não obstante, chegamos a algo mais extraordinário e surpreendente: as Escrituras nos ensinam que até mesmo as ações pecaminosas estão nas mãos de Deus. Ouçam Pedro pregando no dia de Pentecoste, em Jerusalém: “A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos” (At 2:23). Em seguida, Pedro o coloca nestes termos: “Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel” - prestem atenção – “para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer” (At 4:27,28). O terrível pecado daqueles homens fora determinado de antemão, pelo conselho de Deus.

Temos também um tremendo exemplo disso no livro de Gênesis, aquela famosa declaração de José a seus irmãos. José, rememorando os fatos de sua história, virou para seus irmãos e disse: “Assim não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus...” (Gn. 45:8). Do nosso ponto de vista, foram eles que o fizeram. Eles haviam agido perversamente, haviam feito algo muito ímpio, movidos por motivos mercenários e como resultado de sua própria inveja. “Mas”, disse José, “não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus”. Estas ações pecaminosas emanaram deste grande e eterno decreto de Deus.

Ora, sejamos bem explícitos sobre isto. Em vista do que já concordamos sobre a santidade de Deus, devemos uma vez mais dizer o seguinte: Deus não causa o mal em nenhum sentido, em nenhum grau. Deus não aprova o mal. Ele, porém, permite que os agentes perversos o realizem, e então o administra para Seus próprios fins sábios e santos.

Ou avaliem-no assim, se o preferirem: o mesmo decreto de Deus que ordena a lei moral, que proíbe e pune o pecado, também permite sua ocorrência. Limita-o, porém, e determina o canal específico ao qual ele será restringido, bem como a finalidade exata para a qual ele será dirigido, e controla suas conseqüências para o bem. A Bíblia nos ensina isso claramente. Ouçam novamente aquele relato sobre José e seus irmãos em Gênesis 50:20. Disse José: “Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar em vida a um povo grande.” E creio que, em muitos aspectos, o exemplo mais chocante de todos se encontra na traição de Jesus por Judas: uma ação livre e voluntária, e no entanto um componente do grande e eterno propósito e plano de Deus.

Assim sendo, isso me conduz à minha terceira proposição geral, ou seja: todos os decretos de Deus são incondicionais e soberanos. Eles não dependem, em nenhum sentido, das ações humanas. Não são determinados por alguma coisa que a pessoa possa ou não fazer. Os decretos de Deus não são nem ainda determinados à luz do que Ele sabe que as pessoas irão fazer. Eles são absolutamente incondicionais. Não dependem de nada, a não ser da própria vontade e da própria santidade de Deus."...


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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Orientações sobre o Dia do Senhor - Martin Lloyde-Jones

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1899 - 1981
"...Existe certa forma de religiosidade — e, infelizmente, parece que se vai tornando mais e mais comum — que não hesita em ensinar que contanto que se vá à casa de Deus, domingo de manhã, não importa muito o que se fizer durante o restante do dia. Todavia, não estou pensando somente sobre aqueles que dizem que tudo o de que necessitamos é de participar da Ceia do Senhor, pela manhã, e então estaremos livres para observar o domingo como bem entendermos. E tenho indagado de mim mesmo se isso, de fato, nos pode satisfazer a consciência. Ao que me parece, manifesta-se crescentemente entre nós aquela tendência que nos leva a pensar: 'Naturalmente, o que interessa é o culto matutino; preciso de ensino e instrução. Porém, o culto vespertino é inteiramente dedicado à evangelização; por isso, passarei o resto do dia lendo e pondo em dia a minha correspondência'. Assevera que isso equivale a nos tornarmos culpados do erro dos fariseus. O dia do Senhor é um dia que deve ser dedicado ao Senhor, tanto quanto possível. Deveríamos esforçar-nos por deixar de lado, ao máximo de nossa capacidade, todas as demais atividades, a fim de que nesse dia Deus seja honrado e glorificado, a fim de que a Sua causa floresça e prospere. Os fariseus sentiam-se perfeitamente satisfeitos por estarem cumprindo os seus deveres externos. Sim, já tinham estado presentes ao culto, e, para eles, isso lhes bastava.”...

Martin Lloyde-Jones - Estudos no Sermão do Monte - p. 191, Editora Fiel.

Fonte (facebook): Manoel Canuto

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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Uma palavra sobre a Morte - Martyn Lloyd-Jones

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1899 - 1981

"...Meus queridos amigos, é em meio à vida que a morte surge. Isso não é teoria; é pessoal, é prático. Como vocês estão vivendo? São felizes? Estão satisfeitos? Como contemplam o futuro? Estão alarmados? Aterrorizados? Como vocês encaram a morte? Vocês têm quer morrer. Pensem nas pessoas que aqui estavam, há cinquenta anos. Eles não mais estão aqui. A maioria deles já partiu. Somos todos peregrinos. "Não temos aqui cidade permanente"; mas podem vocês dizer "buscamos a que há de vir"? Estão vocês inteiramente firmados nEle - Jesus Cristo, o Senhor da glória, o Filho de Deus, o Salvador do mundo, e este crucificado? Meus queridos amigos, no final, nada mais importa, exceto isto. Tudo mais se reduzirá a nada. Este local é agora muito mais opulento do que era quando aqui estive. Havia homens aqui que ganhavam pouquíssimo dinheiro por semana, entrementes eram grandes santos. Eles partiram para a glória. Vocês têm muito dinheiro. Têm muitas coisas que não existiam naquela época. Todavia, tudo isso terá fim. Vocês não poderão levar nada dessas posses com vocês, quando morrerem. "Nu sai do ventre da minha mãe e nu voltarei" (Jó 1:21). O que vocês terão quando o fim chegar? Não terão nada, a não ser que tenham Jesus Cristo, e Este crucificado.'"...

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Apresentação do 'Prática da Piedade'

O testemunho da Escritura é de que a Piedade é proveitosa para todas as coisas, residindo nela a promessa da vida que é, e da vida que há de vir [cf. 1 Timóteo 4:7,8].

E o que é Piedade?
É a qualidade de uma determinada prática de vida relacionada a Santidade pessoal, contrária às paixões carnais e mundanismo [Tito 2:11-13; 2 Pedro 3:10-12]. A palavra no original Grego do Novo Testamento, traz consigo o significado de uma ordeira e boa resposta do coração em reverência ao Senhor Deus. Uma outra forma de definir Piedade é descrevê-la como uma atitude pessoal para com o Senhor Deus, na forma de uma vida cujo objetivo é honrá-lO e agradá-lO.

A Piedade é proveitosa para a vida agora, conduzindo-nos em Cristo para toda a paz para com Deus, que nEle se pode receber; regozijo no Senhor, em nosso espírito, com todo prazer e alegria em Deus, nosso bom Pai e Salvador; contentamento para com os atos da Providência do Senhor. A Piedade não nos conduzirá a prosperidade, boa reputação, amigos, saúde ou tranquilidade - nada disto é prometido para o Piedoso; mas, quão maior é a felicidade de sabermos que o Piedoso será ouvido pelo Senhor em suas orações, e terá alegria nEle desde agora e para sempre! Na Piedade há promessa e esperança, de Cristo, em quem se esconde a vida do Crente, de estar unido com Cristo agora e por toda eternidade.

Nas palavras de Thomas Watson, "Como a jóia está para o anel, assim a Piedade está para a alma, ornando-a aos olhos de Deus. A Razão nos faz humanos; a Piedade nos faz anjos sobre a Terra; pela Piedade nós 'tomamos parte da natureza Divina' [2 Pedro 1:4]. A Piedade é mui próxima da glória: é 'glória e virtude' [2 Pedro 1:3]. A Piedade é a Glória em forma de semente; e a Glória é a Piedade em flor."

Assim, cremos, está mais do que justificado nosso desejo e obra em dedicar este Blog a tudo o que for útil e exemplar para nos exortar e dirigir na Prática da Piedade. Oh, Senhor, ajuda-nos, sustenta-nos, guia-nos e frutifica este trabalho!

Teologia e Pregação Reformada Experimental

O que é Teologia e Pregação Reformada Experimental? Muitas vezes chamado de Calvinismo Experimental ou Calvinismo Experiencial, se refere a uma tal forma de religião, construída sobre a Escritura Somente, fundamentada em Cristo Jesus, na qual, buscando-se incessantemente a Glória de Deus em todas as coisas, se testa ou prova, se exercita no conhecimento prático de toda Doutrina Bíblica. Entendemos que há uma vital relação entre a Teologia Prática e a Piedade; como a Escritura diz, é desejável e há regozijo e benção no exercício do Conhecimento da Verdade que é segundo a Piedade [Tito 1:1].

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