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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Qual o limite da obediência do cristão? - William Tyndale

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1484 - 1536

"...Está certo que obedeçamos a pai e mãe, mestre, senhor, príncipe e rei, e a todas as ordenanças do mundo, corporalmente e espiritualmente, pelas quais Deus nos rege e ministra livremente seus benefícios a todos nós. E que os amemos pelos beneficias que deles recebemos, e os temamos pelo poder que têm sobre nós para nos punirem, se transgredirmos a lei e a ordem. Contudo, os poderes ou governantes terrenos só devem ser obedecidos na medida em que as suas ordens não repugnem ou sejam contrárias aos mandamentos de Deus, que devemos sustentar antes de tudo. Daí que devemos ter sempre os mandamentos de Deus em nossos corações e pela mais alta lei interpretar a inferior; que devemos obedecer só ao que não seja oposta à crença no Deus único, ou ao amor de Deus, por intermédio de quem fazemos ou deixamos de fazer todas as coisas; que nada poderemos fazer contra a reverência devida ao nome de Deus, que possa resultar em desprezo d'Ele ou em menos temor pela Sua justiça; e que não obedeçamos ao que seja proposto para nos afastar ou impedir o conhecimento da santa doutrina de Deus, de quem o santo dia é servo."...

William Tyndale - The Obedience of a Christian Man 

Fonte - Monergismo
Tradução - Isaías Lobão
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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O dever do Magistrado Civil - João Calvino

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1509 - 1564
"...Vamos observar o que é dito aqui muito bem, onde Paulo pede que oremos pelos magistrados, que sejam mantidos e preservados, para servirmos à Deus e para que a pureza da religião seja mantida. Vendo que o ofício dos magistrados tem esta finalidade, segue-se que não podemos mantê-los fora da Igreja. São partes e membros excelentes da Igreja… Por isso que os Profetas, quando falam do Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo, que haveria de vir, exortam os reis e príncipes à prestar homenagens a Ele (Isaías 60:5,10,11). É verdade que todos os homens têm a obrigação de sacrificar à Deus na pessoa de Seu Filho, de se humilhar e de se ajoelhar diante dEle e que todo homem deve se esforçar para manter a pureza da verdade do Evangelho. Mas os reis são especialmente exortados. Por quê? Porque eles têm uma obrigação dupla, pois eles são postos em uma posição mais elevada do que os demais homens. Eles também precisam saber que eles são sujeitos à Deus e precisam trabalhar para manter a ordem da Igreja e do Cristianismo. E por esta causa é dito que os reis viriam além do mar, para trazer presentes e santos dons à Deus (Salmo 72:10,11) e também Davi disse, “Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra”. (Salmo 2:10)."...


Tradução - Frank Brito


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sábado, 20 de julho de 2013

A Doutrina do Magistrado Civil - Martinho Lutero

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1483-1546
"...Desta maneira usaram a espada todos os santos desde o início do mundo, Adão e seus descendentes. Foi assim que Abraão a usou quando salvou o sobrinho Ló, vencendo os quatro reis, (Gn 14.15), apesar de ser um homem completamente evangélico. Assim também Samuel, o santo profeta, derrotou o rei Agague, (sc. 1 Sm 15.33) e Elias, os profetas de baal, (sc. 1Rs 18.40). Da mesma maneira usaram da espada Moisés, Josué, os filhos de Israel, Sansão, Davi e todos os reis e príncipes do Antigo Testamento; também Daniel e seus companheiros Hananias, Azarias e Misael na Babilônia, idem José no Egito, etc. Se, porém, alguém quisesse argumentar que o Antigo Testamento foi abolido e que não vale mais e que por isso não se poderia mais apresentar tais exemplos aos cristãos, eu respondo: Não é assim. Pois S.Paulo diz em 1 Co 10:3: "Comeram o mesmo manjar espiritual e beberam a mesma bebida espiritual da rocha, que é Cristo, como nós". Isso significa que tiveram o mesmo Espírito e fé em Cristo que nós temos e foram cristãos assim como nós. O que, pois, foi correto para eles, é também correto para todos os cristãos desde o princípio até o fim do mundo. Pois a época e o modo exterior de viver não faz diferença entre os cristãos.”...

Martinho Lutero - Obras Selecionadas - vol. 6 (Ética: Fundamentação da Ética Política, Governo, Guerra dos Camponeses, Guerra Contra os Turcos, Paz Social.) - p. 90-91, Editora Sinodal, Concórdia Editora LTDA.

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segunda-feira, 24 de junho de 2013

O governo civil e os falsos profetas - João Calvino

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1509-1564
"...E aquele profeta ou sonhador de sonhos morrerá, pois falou rebeldia contra o SENHOR vosso Deus, que vos tirou da terra do Egito, e vos resgatou da casa da servidão, para te apartar do caminho que te ordenou o SENHOR teu Deus, para andares nele: assim tirarás o mal do meio de ti."... (Dt 13:5)

"...E aquele profeta. Como os ministros de Satanás enganam os homens pela aparência exterior, quando se apresentam como sendo profetas de Deus, Moisés admoestou que os mestres não devem ser todos escutados indiscriminadamente, mas que os verdadeiros deveriam ser distinguidos dos falsos e que, tendo disso julgados, somente os que merecessem deveriam ser reconhecidos. Agora ele acrescentou o castigo daqueles que se introduzem com o título de profeta para conduzir o povo à rebelião. Ele não condena à pena capital aqueles que porventura espalham alguma falsa doutrina por conta de algum erro particular ou trivial, mas aqueles que são os autores da apostasia e que arrancam a religião pela raiz. Observe, também, que a ocasião para esta severidade não seria até que a religião fosse positivamente estabelecida e, portanto, a gravidade da impiedade é expressamente mencionada – aqueles que tentam desviar o povo do culto ao Deus verdadeiro. Além disso, para que todas as desculpas fossem anuladas, Moisés disse que quem Deus é e a maneira com que Ele deve ser cultuado era suficientemente manifesto pela maravilhosa benção da redenção deles e também pela doutrina da Lei. Portanto, para que Deus manifestasse que um castigo tão severo é justamente aplicado contra apóstatas, Ele declarou a certeza daquela religião que deveria existir entre os israelitas, de forma que nenhum perdão poderia ser concedido a um desprezo tão iníquo, pois Deus havia abundantemente provado a glória de Sua Divindade pelo milagre da redenção deles e havia revelado Sua vontade na Lei.

É preciso lembrar, então, que o crime da impiedade não deve ser castigado, a menos que a religião tenha sido recebida por consentimento público e sufrágio do povo e também sendo sustentada por provas seguras e incontestáveis, de forma que sua verdade seja posta acima do alcance da dúvida. Desta forma, apesar de ser absurda a severidade daqueles que defendem a superstição por meio da espada, homens profanos, pelos quais a religião é subvertida, de forma alguma podem ser tolerados em um governo político bem instituído. Aqueles que desejam ser livres para causar perturbações sem serem punidos não são capazes de tolerar isso e, portanto, chamam de sanguinários aqueles que ensinam que os erros pelos quais a religião é solapada e destruída devem ser reprimidos pela autoridade pública. Mas o que eles ganharão com seus desvarios públicos contra Deus? Deus ordena que os falsos profetas, que arrancam os fundamentos da religião e são os autores e líderes da rebelião, sejam mortos. Um patife ou outro contesta isso e se coloca contra o autor da vida e da morte. Que insolência é essa! Quanto ao que afirmam, que a verdade de Deus não precisa de um apoio assim, isto é muito verdadeiro. Mas qual é o sentido desta insanidade, de impor uma lei sobre Deus, de que Ele não pode fazer uso da obediência dos magistrados para este fim? Qual é o benefício de questionar a necessidade disso, se agrada tanto a Deus? Deus pode, de fato, dispensar o auxílio da espada na defesa da religião, mas esta não é Sua vontade. E por que isso causa surpresa, que Deus ordena que os magistrados sejam vingadores de Sua glória, se Ele não deseja nem tolera que roubos, fornicações e bebedeiras sejam isentos de castigo? Em ofensas menores, não é lícito que os juízes hesitem, mas quando o culto a Deus e toda religião é violada, tamanho crime será encorajado pela dissimulação? Pena capital será decretada contra adúlteros, mas os odiadores de Deus terão autorização para adulterar a salvação sem impunidade, para desviar almas miseráveis da fé? O perdão nunca será concedido para aqueles que envenenam as pessoas pelo qual somente o corpo sofre danos, mas não há problemas em entregar as almas à eterna destruição? Finalmente, se a autoridade do próprio magistrado for atacada, haverá vingança por isso, mas tolerará que o santo nome de Deus seja profanado? O que pode ser mais monstruoso!? Mas será supérfluo contestar com qualquer argumento quando o próprio Deus já pronunciou qual é Sua vontade, pois nós temos que observar seu inviolável decreto.”...

João Calvino - Comentary in Deuteronomy 13

Tradução - Frank Brito
Fonte - Resistir e Construir
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O reino de Deus e o governo civil - João Calvino

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1509-1564

"...2. O REINO DE DEUS E O GOVERNO CIVIL, EMBORA DISTINTOS EM NATUREZA E FUNÇÃO, NÃO SE EXCLUEM MUTUAMENTE, NEM SÃO INCOMPATÍVEIS ENTRE SI

Apesar disso, esta distinção não serve para que tenhamos a ordem social como uma coisa imunda e que não é pertinente aos cristãos. É verdade que os espíritos utópicos e fanáticos, que não buscam senão uma licença desenfreada, falam dessa maneira atualmente e afirmam que, posto que já morremos em Cristo para os elementos deste mundo e já fomos trasladados ao reino de Deus entre os habitantes do céu, é coisa ignóbil e vil para nós e indigna de nossa excelência nos ocuparmos dessas preocupações imundas e profanas concernentes aos negócios deste mundo, dos quais os cristãos devem afastar-se o máximo possível. A que propósito, dizem eles, servem leis sem juízos e tribunais? Todavia, que o homem cristão tem a ver com os próprios juízos? Com efeito, se não é lícito matar, a que nos servem leis e juízos?

Mas, como há pouco chamamos a atenção dizendo que este gênero de governo é distinto daquele reino espiritual e interior de Cristo, devemos também saber que de forma alguma é contrário a ele. Ora, este reino espiritual começa justamente aqui na terra em nós uma certa prelibação do reino celeste, e de certo modo auspicia nesta vida mortal e passageira a bem-aventurança imortal e incorruptível. Mas o objetivo do governo temporal é manter e conservar o culto divino externo, a doutrina e religião em sua pureza, o estado da Igreja em sua integridade, levar-nos a viver com toda justiça, segundo o exige a convivência dos homens durante todo o tempo que vivermos entre eles, instruir-nos numa justiça social, fomentar a harmonia mútua, manter e conservar a paz e tranqüilidade comuns, coisas essas que reconheço serem supérfluas, se o reino de Deus, como ora se acha entre nós, extingue a presente vida.

Se, pelo contrário, for a vontade de Deus que, enquanto aspiramos à verdadeira piedade, peregrinemos sobre a terra, enquanto suspiramos por nossa verdadeira pátria; e se, além do mais, tais auxílios nos forem necessários para nossa jornada, aqueles que querem privar aos homens delas, os querem impedir que sejam homens. Ora, a respeito do que alegam, que deve haver na Igreja de Deus tal perfeição que façam as vezes de quantas leis demandem, tal imaginação é uma insensatez, pois jamais poderá existir tal perfeição em qualquer sociedade humana. Pois, como tão grande é a insolência dos réprobos, tão contumaz sua impiedade, que mal se deixa coibir pela extrema severidade das leis, que esperamos que eles façam, se vêem sua improbidade patentear-se em impune desbragamento, os quais nem pela força se deixam compelir para que não procedam mal?”...

João Calvino - As Institutas da Religião Cristã - Edição Clássica (LIVRO IV - Cap. XX), Editora Cultura Cristã.

As Institutas, produzidas pela UNESP e disponibilizadas pelo Google:

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Apresentação do 'Prática da Piedade'

O testemunho da Escritura é de que a Piedade é proveitosa para todas as coisas, residindo nela a promessa da vida que é, e da vida que há de vir [cf. 1 Timóteo 4:7,8].

E o que é Piedade?
É a qualidade de uma determinada prática de vida relacionada a Santidade pessoal, contrária às paixões carnais e mundanismo [Tito 2:11-13; 2 Pedro 3:10-12]. A palavra no original Grego do Novo Testamento, traz consigo o significado de uma ordeira e boa resposta do coração em reverência ao Senhor Deus. Uma outra forma de definir Piedade é descrevê-la como uma atitude pessoal para com o Senhor Deus, na forma de uma vida cujo objetivo é honrá-lO e agradá-lO.

A Piedade é proveitosa para a vida agora, conduzindo-nos em Cristo para toda a paz para com Deus, que nEle se pode receber; regozijo no Senhor, em nosso espírito, com todo prazer e alegria em Deus, nosso bom Pai e Salvador; contentamento para com os atos da Providência do Senhor. A Piedade não nos conduzirá a prosperidade, boa reputação, amigos, saúde ou tranquilidade - nada disto é prometido para o Piedoso; mas, quão maior é a felicidade de sabermos que o Piedoso será ouvido pelo Senhor em suas orações, e terá alegria nEle desde agora e para sempre! Na Piedade há promessa e esperança, de Cristo, em quem se esconde a vida do Crente, de estar unido com Cristo agora e por toda eternidade.

Nas palavras de Thomas Watson, "Como a jóia está para o anel, assim a Piedade está para a alma, ornando-a aos olhos de Deus. A Razão nos faz humanos; a Piedade nos faz anjos sobre a Terra; pela Piedade nós 'tomamos parte da natureza Divina' [2 Pedro 1:4]. A Piedade é mui próxima da glória: é 'glória e virtude' [2 Pedro 1:3]. A Piedade é a Glória em forma de semente; e a Glória é a Piedade em flor."

Assim, cremos, está mais do que justificado nosso desejo e obra em dedicar este Blog a tudo o que for útil e exemplar para nos exortar e dirigir na Prática da Piedade. Oh, Senhor, ajuda-nos, sustenta-nos, guia-nos e frutifica este trabalho!

Teologia e Pregação Reformada Experimental

O que é Teologia e Pregação Reformada Experimental? Muitas vezes chamado de Calvinismo Experimental ou Calvinismo Experiencial, se refere a uma tal forma de religião, construída sobre a Escritura Somente, fundamentada em Cristo Jesus, na qual, buscando-se incessantemente a Glória de Deus em todas as coisas, se testa ou prova, se exercita no conhecimento prático de toda Doutrina Bíblica. Entendemos que há uma vital relação entre a Teologia Prática e a Piedade; como a Escritura diz, é desejável e há regozijo e benção no exercício do Conhecimento da Verdade que é segundo a Piedade [Tito 1:1].

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