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| 1519 - 1605 |
"...O objeto e poder da verdadeira fé.
Visto que Jesus Cristo é o objeto da fé, assim como Ele nos é apresentado na Palavra de Deus, seguem-se daí dois pontos que deveriam ser bem considerados. De um lado, onde não há Palavra de Deus mas somente a palavra de homem, quem quer que seja, lá não há fé, mas somente uma fantasia ou uma opinião que não pode falhar em nos enganar (Rm 10:2-4; Mc 16:15; Rm 1:28; Gl 1:8-9). Por outro lado, a fé aceita e apropria Jesus Cristo e tudo que está nEle, visto que Ele nos foi entregue na condição de crermos nEle (Jo 17:20,21; Rm 8:9). Daí seguem-se uma ou duas coisas: ou tudo que é necessário para nossa salvação não está em Jesus Cristo, ou se tudo está de fato lá, aquele que tem a Jesus Cristo pela fé, tem tudo. Ora, dizer que tudo que é necessário para nossa salvação não está em Jesus Cristo é uma horrível blasfêmia, pois isto somente faria dEle um Salvador parcial (Mt 1:21). Daí resta, portanto a outra parte: tendo Jesus Cristo, pela fé, temos nEle tudo que é requerido para nossa salvação (Rm 5:1). Isto é o que o apóstolo diz: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”(Rm 8:1)
Como devemos entender 'Somos justificados pela fé somente'.
Aqui está a explicação de nossa justificação pela fé somente: a fé é o instrumento que recebe Jesus Cristo e, consequentemente, recebe Sua justiça, o que significa, toda a perfeição. Quando, portanto, acompanhando o Apóstolo Paulo (Rm 1:17; 3:21-27; 4:3; 5:1; 9:30-33; 11:6; Gl 2:16-21; 3:9,10,18; Fp 3:9, 2 Tm 1:9; Tt 3:5; Hb 11:7), dizemos que somos justificados pela fé somente, não queremos dizer que a fé é um mérito nosso que nos faz justos diante de Deus, pois isto seria colocar a fé no lugar de Jesus Cristo que é nossa perfeita e completa justiça. Porém, dizemos juntamente com o apóstolo, que somente pela fé somos justificados, à medida que ela aceita Aquele que nos justifica, Jesus Cristo, a quem nos une e ajunta. Nós somos, então, feitos participantes dEle e dos benefícios que Ele possui. Estes, nos sendo imputados e doados, são mais do que suficientes para nos tornar inocentes e justos diante de Deus."...
Theodore Beza - The Christian Faith ( capítulo 4, seções 1-13)
Fonte - Reformados do Século XVI
Tradução - Rev. Paulo Anglada
Revisão - Rev. Ewerton B. Tokashiki
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| 1509 - 1564 |
"Nós somos judeus por natureza, e não pecadores dentre os gentios.
Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada." [Gálatas 2:15-16]
"...Agora então, pergunto a todos vocês: onde nós estamos? Aqueles que dizem que serão justificados por seus méritos, ou "obras meritórias" como eles as chamam, não têm sido conduzidos ao orgulho excessivo pelo Diabo? Pois quem pode igualar Davi, ou Noé, ou Abraão, ou Daniel? Certamente, até aqueles que têm cursado bem a escola de Deus, e que foram incendiados por um verdadeiro zelo de entregarem-se a si mesmos totalmente para Deus, estão convencidos de que ainda estão longe de alcançar o padrão estabelecido por Davi, ou até mesmo Noé ou Daniel! Sabendo disso, portanto, podemos ver que o Espírito Santo está aqui derrubando aqueles que se exaltam demasiadamente, para nos convencer de que não possuímos nem a menor gota de justiça, para que busquemos tudo que diz respeito a nossa salvação na graça do Senhor Jesus Cristo. Agora entendemos o que implica a declaração, quando diz que "nenhuma carne será justificada". É como se Paulo estivesse dizendo que, quando se trata de nossa natureza, somos sempre maus por dentro, apesar do que pareça apresentar o exterior. Podemos ser grandemente louvados e respeitados pelo mundo; podemos estar cercados de vã bajulação; mas até que Deus trabalhe em nós para nos mudar, estaremos cheios de imundície. Na verdade, todas as virtudes que os homens exaltam são nada menos que vícios que os levarão a destruição e os mergulharão no inferno. Pois até mesmo aqueles que foram renovados pela graça de Deus, e aprenderam a obedecer-lhe, fazendo as coisas que Deus ama e aprecia, até eles não podem trazer nada para Deus que possa liquidar suas contas com ele. Eles estarão sempre em débito por conta de todos os bons dons que têm recebido de Deus; até tais homens também estão corropidos pelo pecado e a fragilidade. Assim, devemos nos despir de toda confiança em nossa justiça própria. Pois, desde o maior ao menor, estamos todos condenados. Se buscarmos justificação pela lei, estaremos grandemente enganados – nunca a encontraremos."...
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| 1483 - 1546 |
"...Pela fé em Cristo, portanto, a justiça de Cristo se torna nossa justiça, e, com ela, é nosso tudo que é de Cristo, sim, ele próprio torna-se nosso, Por essa razão, o apóstolo a chama “justiça de Deus”, na Epístola aos Romanos 1.17: “A justiça de Deus é revelada no evangelho, como está escrito: o justo vive da fé!” E mais: Refere-se à fé como sendo tal Justiça. Finalmente semelhante fé também é chamada de justiça de Deus, no capítulo terceiro da mesma carta: “Concluímos que o homem é justificado pela fé.” (Romanos 3.28). Esta é a justiça infinita e que absorve todos os pecados num instante, pois é impossível que haja pecado em Cristo; antes, quem crê em Cristo, está apegado a ele, e é uma coisa só com Cristo, compartilhando com ele a mesma justiça. Por isso é impossível que nele continue havendo pecado. E essa justiça é a primeira, é o fundamento, causa, origem de toda justiça própria ou de conduta. Porque de fato a mesma é concedida em lugar da justiça original, perdida em Adão, e realiza aquilo, sim, muito mais do que aquela justiça original teria conseguido realizar."...
Sermão publicado pela primeira vez em 1519, na casa editora de Johann Grünenberg
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| 1808 – 1878 |
"...Novamente eu insisto, o seu olhar de fé deve agora ser direcionado inteiramente para fora de você mesmo, e colocado em Jesus. Todo cuidado é necessário a fim de estar certo de que o preparo para a morte não esteja firmado em você, mas somente em Cristo. Deus não lhe aceita tendo como base um coração quebrantado, um coração limpo, um coração suplicante, ou um coração cheio de fé. Ele lhe aceita plena e tão somente, na expiação do Seu bendito Filho. Creia confiadamente, com uma fé infante, nesta expiação. - 'Cristo morreu pelo injusto' (Rm 5.6) - e você será salvo.
A justificação é evidenciada quando um pobre pecador, condenado pela lei e destruído, cobre-se pela fé, com a justiça de nosso Senhor Jesus Cristo, (Rm 3.22): 'justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que creem' - esse pecador, então, está justificado e preparado para morrer. Somente aquele que se despe de sua justiça própria e corre para a abençoada "cidade de refúgio", o Senhor Jesus Cristo, e esconde-se lá do "vingador do sangue", pode exclamar numa linguagem de triunfante fé: - 'Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus'" (Rm 8.1).”...
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| 1509 - 1564 |
"...Todo homem, portanto, admite a verdade da declaração de que os homens estão em um estado miserável a menos que DEUS trate misericordiosamente com eles, não lhes imputando os seus pecados. Mas Davi vai mais longe, declarando que toda a vida do homem está sujeita a ira e maldição de DEUS, exceto quando Ele concede da Sua livre graça para recebê-los no Seu favor. Sobre isso o Espírito, que falou por Davi, é um intérprete incontestável e testemunha para nós através da boca de Paulo, "Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo: Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos." (Rm 4.6-7).
Se Paulo não tivesse usado esse testemunho, seus leitores nunca teriam penetrado no real significado daquilo que foi dito pelo profeta, pois constatamos que os papistas, apesar de cantarem em seus templos: "Abençoados são aqueles cujas iniquidades são perdoadas", etc, passam sobre isso como se fosse um ditado comum, de pouca importância. Mas com Paulo, esta é a definição completa da justiça da fé; como se o profeta tivesse dito que os homens somente são bem-aventurados quando são reconciliados com DEUS e contados como justos por Ele.
[...]
Que as obras dos santos são indignas de recompensa porque elas são manchadas, parece um duro discurso aos papistas. Mas, nisto eles denunciam sua ignorância grosseira, estimando, de acordo com suas próprias concepções, o julgamento de DEUS, em cujos olhos o próprio brilho das estrelas nada mais é do que trevas.
Portanto, esta é uma doutrina estabelecida: que somos considerados justos diante de DEUS pela remissão gratuita de pecados. Este é o portão para a salvação eterna e, por conseguinte, só aqueles que confiam na misericórdia de DEUS, são bem-aventurados. Devemos ter em mente o contraste que já mencionei, entre crentes que, abraçando a remissão de pecados, confiam somente na graça de DEUS, e todos os outros que não se colocam no santuário da divina graça.”...
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Apresentação do 'Prática da Piedade'
O testemunho da Escritura é de que a Piedade é
proveitosa para todas as coisas, residindo nela
a promessa da vida que é, e da vida que há de vir [cf. 1 Timóteo 4:7,8].
E o que é Piedade?
É a qualidade de uma determinada prática de vida
relacionada a Santidade pessoal, contrária às paixões carnais e mundanismo
[Tito 2:11-13; 2 Pedro 3:10-12]. A palavra no original Grego do Novo Testamento, traz consigo o significado de
uma ordeira e boa resposta do coração em reverência ao Senhor Deus. Uma outra forma de definir Piedade é descrevê-la como uma atitude pessoal para com o Senhor Deus, na forma de uma vida cujo objetivo é honrá-lO e agradá-lO.
A Piedade é proveitosa para a vida agora, conduzindo-nos em Cristo para toda a paz para com Deus, que nEle se pode receber; regozijo no Senhor, em nosso espírito, com todo prazer e alegria em Deus, nosso bom Pai e Salvador; contentamento para com os atos da Providência do Senhor. A Piedade não nos conduzirá a prosperidade, boa reputação, amigos, saúde ou tranquilidade - nada disto é prometido para o Piedoso; mas, quão maior é a felicidade de sabermos que o Piedoso será ouvido pelo Senhor em suas orações, e terá alegria nEle desde agora e para sempre! Na Piedade há promessa e esperança, de Cristo, em quem se esconde a vida do Crente, de estar unido com Cristo agora e por toda eternidade.
Nas palavras de Thomas Watson,
"Como a jóia está para o anel, assim a Piedade está para a alma, ornando-a aos olhos de Deus. A Razão nos faz humanos; a Piedade nos faz anjos sobre a Terra; pela Piedade nós 'tomamos parte da natureza Divina' [2 Pedro 1:4]. A Piedade é mui próxima da glória: é 'glória e virtude' [2 Pedro 1:3].
A Piedade é a Glória em forma de semente; e a Glória é a Piedade em flor."Assim, cremos, está mais do que justificado nosso desejo e obra em dedicar este Blog a tudo o que for útil e exemplar para nos exortar e dirigir na Prática da Piedade.
Oh, Senhor, ajuda-nos, sustenta-nos, guia-nos e frutifica este trabalho!